CONTOS

INDÍGENAS

A ORIGEM DA LAVOURA

 

A princípio a Terra não era boa nem farta. Não tinha peixes nas águas, animais nos matos e pássaros nos céus. Não se conhecia o fogo. Não existiam frutos e legumes. Os índios alimentavam-se de farelo de palmeira em decomposição, de lagartas e orelhas-de-pau. Certo dia, um jovem índio, andando pelo mato, viu sentada no seu caminho uma linda moça.

 

- Quem é você? De onde veio? - perguntou ele.

- Vim do céu - respondeu ela - Meu pai e minha mãe ralharam comigo, e vim embora, descendo com a chuva....

 

Como todos os índios tinham descido do céu, embora por outro caminho, o rapaz não duvidou daquelas palavras e muito se alegrou com a ideia de encontrar uma moça bonita para ser sua noiva. A moça era acanhada e mostrava receio de encontrar-se com as outras índias. Por isso, ambos esperaram que o dia fosse embora e, sob a cortina da noite, chegaram à casa da mãe do rapaz, onde, sem que ninguém visse, o índio escondeu a moça num enorme cesto de palha cuja boca fechou com cera. Assim, ela passava os dias escondida, esperando a noite, quando o namorado vinha e a fazia sair do grande cesto. Mas a mãe do índio ficou curiosa em saber o que tinha dentro daquele cesto e descobriu ali a filha do céu. Quando a história foi revelada, o rapaz abriu o cesto de palha em plena luz do dia. Mas a menina não queria sair de lá. Baixou a cabeça e custou a levantar. Todos admiraram a beleza da filha do céu, a fizeram sair de dentro do cesto e trataram de enfeitá-la com a cabeça raspada no alto e o corpo pintado de urucum e jenipapo.

A moça gostava de falar do céu e da fartura de frutos e legumes. Certo dia, queixou-se ao marido de que estava enjoada de comer lagartas e manifestou o desejo de voltar ao céu, a fim de trazer algumas sementes. Ensinou como ele devia fazer uma roçada, limpando a terra e preparando-a para receber as sementes trazidas do céu. De manhã, dirigiram-se os dois ao campo onde a filha do céu indicou uma árvore alta e flexível. Subiram até o último galho, e o peso de ambos fez que o tronco vergasse até o chão.

 

- Pule! - mandou a índia.

 

Ele pulou e a árvore se esticou novamente levando a moça para o seu lar. Seu marido fez a roçada e um dia encontrou a moça sentada no meio dela, cercada de mudas de bananeira, de batatas e inhames. Do céu, nessa mesma ocasião, veio o primeiro beiju, embrulhado em folhas de bananeira, em forma de estrela.

A índia fez uma nova viagem ao céu para mostrar aos pais o filho que lhe nascera aqui na Terra. Subiu por uma altíssima casa de cupim. Depois de criado o menino, a mãe tornou a subir para o céu, mas de lá nunca mais voltou.

Os índios continuaram fazendo suas roçadas, ano após ano, cabendo às mulheres plantar a terra preparada. E, quando fazem seus beijus, ainda arranjam as folhas de bananeira em forma de estrela, como a Mãe da Lavoura e Filha do Céu ensinou a fazer.

 

Adaptação de Augusto Pessôa

 

 

ORIGEM DO RIO AMAZONAS

 

Há muitos anos a Lua e o Sol se apaixonaram. O Sol ficou encantado pela beleza da Lua e a iluminava de paixão. A Lua ficou sonhando com o calor do Sol e chorava baixinho querendo se aproximar do seu amado. Era um amor bonito que dava gosto de ver. Mas eles se amavam a distância. O Sol, então, mandou os passarinhos pedirem a Lua em casamento. Aquela revoada de pássaros fez um vôo fantástico até encontrar com a Lua. Chegaram e pediram a Lua em casamento numa linda canção. A Lua ficou cheia de alegria. O casamento foi marcado e o céu se enfeitou. As estrelas brilharam ainda mais e as nuvens criaram desenhos no firmamento. Seria uma festança que duraria um ano inteiro. Mas o mar não gostou e avisou aos noivos:

 

- O casamento de vocês não pode acontecer! Esse encontro vai destruir o mundo. O amor ardente do Sol vai queimar tudo e a Lua com as suas lágrimas inundaria toda a Terra. Por isso não podem se casar. A Lua apagaria o fogo e o Sol evaporaria a água.

 

A Lua não se importou com isso. Queria casar de qualquer jeito. Estava completamente apaixonada. Mas o Sol ficou com medo. Amava muito a Lua, mas não queria destruir o mundo. Separaram-se, então, a Lua para um lado e o Sol para o outro. Quando a Lua começava a aparecer no céu, o Sol ia embora. A Lua ainda tentou convencer o Sol. Mas não deu jeito. E ela tenta até hoje. E é por isso que, de vez em quando, a Lua e o Sol ficam juntos no céu. Mas aí tudo escurece e o Sol foge de sua amada.  

Na primeira separação, a Lua chorou todo o dia e toda a noite. Foi então que as lágrimas correram por cima da Terra até o mar. Mas o mar que estava zangado com a Lua não deixou que as lágrimas se misturassem com as suas águas. E o mar ainda tenta acabar com as lágrimas da lua com um estrondo forte que os índios chamam de pororoca.

As lágrimas da Lua é que deram origem ao nosso rio Amazonas.

 

 

 

 

Adaptação de Augusto Pessôa

COMO SURGIU A NOITE

 

Num tempo já esquecido, o dia não tinha fim. O sol ficava o tempo todo iluminando a floresta. Os índios eram obrigados a dormir no claro. Estavam cansados disso e desejavam um pouco de escuridão para conseguirem dormir melhor.

Mas o sol não deixava de iluminar o eterno dia.

Foi quando um velho, que veio de muito longe, contou que tinha visto um monstro que guardava dois grandes potes. Os potes eram pretos e estavam cheios de escuridão.

Os índios imaginaram que a noite tão desejada poderia estar trancada nesses potes. E resolveram ir pegar a noite.

No dia seguinte um grupo saiu para ir ao local indicado pelo velho. Andaram bastante até que viram o mostro dormindo ao lado dos potes. Quando se aproximaram viram  escutaram o barulho que vinha de dentro daquelas vasilhas: o som das corujas, dos macacos noturnos, dos grilos, das rãs e dos sapos do brejo e de todos os seres que vivem na noite. O grupo de índios usando arco e flechas conseguiram quebrar o pote menor. De dentro daquela vasilha saiu a noite com todos os seu bichos. Os índios saíram correndo. Chegaram nas ocas e aproveitaram a escuridão para dormir um pouco. Mas a noite que saiu do pote pequeno não durou muito. Era curta. Não dava para descansar quase nada.

Os índios resolveram voltar e quebrar o pote maior. Dois índios foram incumbidos de realizar a tarefa, pois eram grandes arqueiros. Os dois jovens convidaram o Urutau para acompanha-los. Mas aconselharam ao pássaro que corresse bem depressa porque essa noite era maior e podia pegá-los de jeito. Os três chegaram ao local onde o monstro ainda dormia e com a habilidade dos arcos quebraram o pote maior. Saiu de lá uma noite que não tinha mais fim. Os três fugiram em disparada. Mas Urutau tropeçou num cipó e caiu. Foi logo alcançado pela imensa escuridão. Por isso, até hoje, o Urutau é uma ave noturna.

E foi assim que surgiu a noite.

 

 

 

CONTO INDÍGENA ADAPTADO POR AUGUSTO PESSÔA

 

COMO APARECEU A REDE DE DORMIR

 

Antigamente não existiam redes de dormir.

Homens e mulheres dormiam no chão por cima das folhas, ou pendurados em árvores, como os macacos.

Um pajé chamado Tamaquaré, ia se casar e não queria mais dormir no chão como os homens. Tinha medo de que os animais o machucassem. Também não queria dormir no alto das árvores porque tinha medo de cair de lá com sua mulher.

Ele resolver falar com o compadre tucano para ver se ele arrumava uma solução.

O tucano nessa época tinha o bico curto e falava pelos cotovelos. Tamaquaré encontrou o compadre e pediu:

 

- Compadre tucano, vou me casar e não quero mais dormir no chão, nem pendurado como um macaco. O senhor pode me ajudar a resolver esse problema?

 

O tucano pensou muito. Até que teve uma ideia: pegou um monte de cipós e começou a trançar. Depois de trançar bastante aquilo ficou bonito de dar gosto de olhar. O tucano amarrou o trançado entre duas árvores e chamou o pajé. Tamaquaré ficou satisfeito, mas disse ao tucano:

 

- Compadre, gostei muito do seu trabalho! Mas não quero que ninguém saiba como eu consegui esse trançado. Você entendeu? Não conte para ninguém se não eu vou me zangar com você!

 

O tucano ficou quieto por um tempo.

No dia do casamento de Tamaquaré houve uma festança danada. O tucano estava animado e orgulhoso. Comeu e bebeu tudo que podia. No meio da festança o tucano disse bem alto:

 

- Meu compadre se casou! E ele não vai dormir no chão como os outros! Vai dormir na rede que eu fiz! Vai dormir bem confortável!

 

Disse o que disse e mostrou a rede. Toda a tribo ficou encantada com aquilo. Mas Tamaquaré se aborreceu. Cuspiu no chão com raiva. Pegou o tucano pelo bico e começou a puxar. Puxou com força e ainda disse:

 

- Agora, compadre, você vai ficar com esse bico comprido para deixar de ser linguarudo. Não vai mais falar e ainda vai voar curto para aprender!

 

Desde esse tempo os homens passaram a usar redes para dormir. E o tucano ficou com aquele bicão, falando um nhé-nhé-nhé e voando pequeno.

 

 

 

 

Adaptação de Augusto Pessôa

COMO O CÉU SE AFASTOU DA TERRA

 

Num tempo muito antigo, o céu ficava tão pertinho da Terra que os índios e os bichos andavam no meio das nuvens e das estrelas. Os curumins brincavam no algodão das nuvens e os namorados trocavam juras de amor ao lado da lua.

Estava todo mundo satisfeito com esse céu tão pertinho da terra.

Menos os passarinhos. Eles queriam voar livremente, subir muito alto e do jeito que estava só podiam dar voos curtos. Fizeram uma reunião para resolver o problema. O morcego também foi convidado.

No dia da reunião os passarinhos estavam em festa. Veio pássaro de todos os lados e de tudo que é tipo: juriti, urubu, sabiá, papagaio e muito mais. A discussão estava animada até que veio do papagaio a ideia:

 

- Porque a gente não se junta e levanta o céu?

 

Houve um espanto pela proposta e um grande silêncio se formou. Logo em seguida os pássaros começaram a gritar festejando a proposta. Só o morcego não gostou:

 

- Não quero participar disso. Vou continuar a dormir de cabeça para baixo.

 

No dia marcado todos os pássaros se reuniram e num esforço conjunto começaram a empurrar o céu para cima. E o azul celeste foi subindo, foi subindo. Junto com ele as nuvens, o sol, a lua, as estrelas e todos os corpos celestes. O céu ficou tão alto que ninguém conseguia pegar no sol e nem brincar com as estrelas. Podiam subir na mais alta árvore e no pico da maior montanha que não alcançavam mais o céu.

Os pássaros em festa voavam em todas as direções. Os homens é que não gostaram muito. Eles apreciavam ter os corpos celestes por perto. Ficaram mesmo zangados. E é por isso que, até hoje, homens e pássaros não se dão muito bem.

E o morcego?

O morcego continua a dormir pendurado pelos pés, de cabeça para baixo.

 

 

 

 

Conto Indígena adaptado por Augusto Pessôa 

 

COMO SURGIRAM OS HOMENS

 

Existem várias lendas entre os índios sobre como os homens surgiram na terra uma delas é essa:

A selva era deserta.

Nem uma aldeia, nem uma rede pendurada, nem uma fogueira, nem uma cabana, nem famílias, nem roçado. O dia nascia, mas só iluminava o vazio. Só dava luz à solidão. Os pássaros voavam e só pousavam nos galhos das árvores. Nem um telhado, nem uma palha trançada. Os peixes nadavam nos rios sem uma canoa como companhia.

Até que surgiu o primeiro dos homens. Era jovem e belo e corria livre pela mata. Era amigo das matas e dos animais. Caçava só para comer, nadava com os peixes do rio, dormia com os macacos, sonhava com os pássaros. Tinha tudo para ser feliz. Mas o índio começou a ficar triste. Sentia se sozinho. Via que os animais tinham companheiros e ele vivia numa grande solidão. Ele queria ter uma companheira e seres iguais a ele para conversar.

Um dia o rapaz foi conversar com sua amiga onça e contou sua tristeza:

 

- Queria tanto uma companheira. Queria muito correr, conversar e brincar com outros parecidos comigo.

 

A onça ouviu em silencio o lamento do amigo. Pensou bastante e resolveu contar o segredo de como o índio poderia ter seus companheiros. A onça disse com cuidado nos ouvidos do nosso herói o grande segredo. O segredo da criação dos homens.

O índio ficou feliz com a descoberta e logo começou a trabalhar como a onça ensinou. Foi até a mata e cortou árvores fazendo grossas toras. Pegou um grande pilão e socou as toras nele. Depois passou pimenta, fincou as toras num descampado e esperou a noite chegar. Quando anoiteceu, fez uma fogueira ao redor de cada uma das toras.

Mas nada aconteceu. Ninguém apareceu. E nosso herói chorou muito.

Mesmo assim ele não desistiu. Talvez tivesse errado no tipo de árvore que cortou. Voltou para a floresta e cortou toras de outra árvore. E fez tudo como na primeira vez: socou as toras no pilão, passou pimenta e fincou todas no descampado. Quando anoiteceu, acendeu uma fogueira em volta de cada tora. Novamente a madeira não se transformou em gente. E o herói mais uma vez chorou. Foi um choro tão sofrido, tão grande, que o coitado adormeceu ali mesmo.

No meio do descampado, as toras continuavam fincadas no chão.

Quando o sol foi nascendo devagar e acertando seus raios em cada uma das toras elas se transformaram. Um a um foram virando gente. Com o calor do sol, os índios despertaram e viveram. Eram tão belos e jovens que todos os animais fizeram uma festa para homenagea-los. E nosso herói viu com alegria o surgimento dos índios. Ele trocou olhares com uma bela índia e os dois se apaixonaram.

Logo toda a terra estava povoada.

E até hoje no alto Xingú os índios dançam comemorando esse dia.

 

 

 

 

Adaptação de Augusto Pessôa

LENDA DA CRIAÇÃO DO MUNDO

 

Os índios viviam dentro do furo das pedras. No principio dos tempos eles não conheciam a Terra. Viviam dentro das rochas. Eram felizes e tinham vida eterna. Eles só morriam quando ficavam cansados de viver.

Um dia, eles decidiram que era hora de sair e conhecer o mundo. Foram todos saindo dos furos. Só um deles não conseguiu sair porque estava gordinho.

Na Terra era uma escuridão sem fim. Os índios corriam para todos os lados conhecendo o mundo. Comeram frutas que eles não conheciam.

Até que um dia, ficaram com pena daquele que ficou nas pedras e levaram as frutas mais saborosas para ele e um galho seco. Ao ver o galho, o índio da pedra falou:


- Esse lugar que vocês andam não é bom. As coisas envelhecem e morrem. Não quero ir para esse lugar onde tudo envelhece. Vou ficar por aqui mesmo. E vocês deviam fazer o mesmo!


Mas os outros não deram atenção para as palavras do índio e continuaram a conhecer a terra.

Um jovem rapaz, junto com sua amada, andava procurando alimento. Como tudo estava escuro, a índia feriu as mãos em espinhos quando tentava colher frutas. O rapaz, naquela escuridão danada, comeu mandioca brava. Sentindo muitas dores ele deitou e parecia que estava morto. Vários urubus começaram a voar em volta do rapaz achando que ele tinha morrido. Até que um deles disse:


- Eu acho que ele não está morto. Ainda está se mexendo...

 
Mas outro urubu falou:


- Está se mexendo nada! Ele está é bem morto!


Começou uma confusão danada. Uns achavam que o rapaz estava morto e outros diziam que não.

Para acabar com essa dúvida foi chamado o urubu-rei que era o mais sábio de todos. O grande pássaro de bico vermelho veio voando, flanando pelo céu, se aproximou e começou a observar o rapaz. Até que declarou:


- Esse rapaz está morto!


E pousou na barriga do índio. Mas o rapaz, que só fingia que estava morto, agarrou com força as pernas do urubu. O pássaro de bico vermelho esperneou, debateu-se, mas não conseguiu se libertar. E o rapaz mandou:

 

- Quero o mais belo dos enfeites!

 

E o urubu-rei trouxe as estrelas no céu que piscavam sem parar. Os enfeites eram belos, mas o mundo continuava escuro. E o rapaz pediu mais:


- Quero outro enfeite!


O urubu-rei trouxe a lua com sua luz prateada. Mas a Terra continuava escura. E o rapaz pediu ainda mais:


- Ainda está tudo escuro! Quero outro enfeite! Quero um enfeite mais brilhante!

 
Então o urubu-rei trouxe o sol que encheu de luz e calor toda a floresta.

O rapaz ficou satisfeito e a grande ave ensinou ao índio qual era a utilidade de cada uma das coisas.

Feliz da vida, o rapaz libertou o sábio pássaro.

O urubu-rei já voava alto e só então o índio lembrou-se de perguntar qual o segredo da juventude eterna. Lá do alto, a ave disse o segredo. Mas voava tão alto, que quase ninguém ouviu o segredo. Só quem ouviu foram as árvores e os animais. E por não ter ouvido o segredo, até hoje todos os homens envelhecem e morrem.

 

 

 

Adaptação de Augusto Pessôa

COMO NASCERAM OS RIOS

 

Dizem que antigamente era tudo seco. Não tinha rio, não tinha água, não tinha nada. A Juriti era a dona da água e  guardava tudo em três grandes tambores.

Os três filhos do pajé estavam com muita sede e foram pedir água para o passarinho. Mas a Juriti não deu e ainda disse:

 

- O pai de vocês é Pajé poderoso! Porque não dá água para vocês? Ele que arrume água para seus filhos!

 

Os meninos voltaram para casa chorando muito. O pajé perguntou por que estavam chorando, os pequenos contaram e o índio disse:

 

- Não quero vocês andando naqueles lados. É muito perigoso! Tem peixe grande dentro dos tambores.

 

Mas eles não ouviram o pai e foram de novo até a casa da Juriti. Quando chegaram lá quebraram os tambores e saíram jogando água para tudo que é lado. A Juriti ficou com raiva e mandou o peixe grande atrás dos meninos. Os irmãos correram, mas o peixe engoliu um dos índios. O coitado ficou só com as pernas fora da boca do peixe.

Os outros dois corriam e jogavam água. Com isso foram formando rios e cachoeiras. O peixe grande foi atrás também levando água e fez o rio Xingu.

Correram muito até chegar ao Amazonas. Lá os meninos conseguiram tirar o irmão da boca do peixe. Cortaram suas pernas, pegaram o sangue e sopraram. O índio voltou a viver. Depois eles jogaram toda água que sobrou no Amazonas e o rio ficou muito largo.

Os índios voltaram para casa e contaram ao pai que tinham quebrado os tambores.

E foi assim que os rios se formaram.

 

 

 

 

Conto indígena adaptado por Augusto Pessôa

 

COMO SURGIRAM OS DIAMANTES

 

Diz a lenda que um casal de índios vivia, juntamente com sua tribo, à beira de um rio. Ele era um guerreiro poderoso e valente. O nome dele era Itagiba, que significa "braço forte". Ela era uma jovem e bela moça que tinha o nome de Potira, que quer dizer "flor".

Os dois viviam um amor lindo numa felicidade que enchia os olhos.

Um dia a tribo foi ameaçada por outros índios. Uma guerra foi declarada e o forte Itagiba teve que partir para enfrentar o inimigo junto com os outros guerreiros.

O casal se despediu com muita tristeza, mas Potira não deixou cair uma só lágrima. A dor era tanta que ela só seguiu seu amado com o olhar. Viu seu amor partir na canoa que descia o rio.

O tempo passou lentamente. Todos os dias, a bela índia ia para a margem do rio esperar o seu amor. A saudade apertava no peito.

Até que um dia, finalmente, os guerreiros da tribo voltaram. Tinham vencido a guerra. Mas Itagiba não estava com eles. O bravo guerreiro morreu lutando para derrotar o inimigo. Quando recebeu a notícia, a jovem índia chorou muito. E passou o resto de sua vida chorando na beira do rio. O deus Tupã ficou com pena de Potira. Viu que o amor que a índia sentia era verdadeiro. E para homenagear essa grande paixão transformou as lágrimas de Potira em diamantes.

E é por isso que essas preciosas pedras são encontrados entre os cascalhos e areias do rio. Os diamantes são as lágrimas que Potira deixou na beira do rio. Lágrimas de saudade e amor.

 

 

 

Adaptação de Augusto Pessôa

COMO SURGIU A LUA

 

Num tempo de outro tempo não existiam estrelas ou lua. A noite era tão escura que todos tinham medo de sair. Ficavam nas ocas com pavor da noite escura.

Na tribo, uma índia não tinha medo. Ela era linda e tinha a pele muito clara diferente das outras mulheres da tribo. Por causa dessa diferença o povo da aldeia olhava para ela com desconfiança. Os índios não queriam namora-la e as índias nem conversavam com ela. A índia vivia numa solidão terrível.

Sentindo-se muito só, começou a andar pela noite escura. Todos da tribo ficavam espantados. Principalmente quando ela voltava de seus passeios e dizia que não havia perigo. Não havia o que temer.

Nessa mesma aldeia tinha outra índia. Uma criatura feia e estranha que tinha muita inveja da índia clara. Com raiva da outra, resolveu sair a noite também. Mas não conseguia enxergar naquela escuridão e terminou cortando os pés nas pedras e espinhos. Ficou com mais raiva da outra. Cheia de rancor e inveja ela foi conversar com a cascavel.

 

- Cascavel, quero que me faça um favor. Você conhece aquela índia clara?

 

E a cobra respondeu enrolada em um galho:

 

- Aquela que anda pela noite?

- Essa mesmo! – respondeu a índia – Quero que você morda os seus pés para que ela fique feia e velha!

 

Por pura maldade a cascavel aceitou o pedido. Ficou de tocaia esperando o passeio da índia clara. Quando ela passou, deu o bote. Mas a cobra não sabia que a índia tinha os pés calçados com duas conchas. A cascavel mordeu as conchas e seus dentes se quebraram. A cobra ficou com muita dor e começou a gritar e a xingar muito. E a índia clara perguntou:

 

- O que está acontecendo? Por que quis me morder?

 

E a cascavel respondeu com raiva:

 

- Porque uma índia me pediu. Ela não gosta de você e quer que você fique feia e velha como ela. Ninguém gosta de você!

 

A índia clara ficou muito triste. Não queria viver junto de pessoas que não gostassem dela. E não aguentava mais ser diferente dos outros. Querendo resolver essa situação ela fez uma escada com cipós trançados. Depois pediu para sua amiga coruja que voasse muito alto e amarasse a ponta da escada no céu. A ave fez como a índia pediu. A mulher começou a subir. Subiu muito até chegar ao alto da escada. Chegando ao céu estava tão exausta que dormiu numa nuvem. Num passe de mágica a índia se transformou num dos mais belos astros. Redonda, clara e iluminada. Era a lua que encheu de luz a noite escura. A índia feia olhou para o raio de luar e ficou cega. Ficou com tanta vergonha que foi se esconder com a cascavel em um buraco.

Os índios se arrependeram de desprezar a índia. Eles passaram a adorar a lua que enchia de luz a noite. Alguns apaixonados sonhavam em construir outra escada de cipós para poder ir ao céu encontrar a bela índia.

 

 

 

 

Adaptação de Augusto Pessôa

 

O ROUBO DO FOGO

 

Há muito tempo atrás, o urubu-rei era dono do fogo. Por isso, os índios secavam a carne expondo os pedaços ao calor do Sol. Do outro lado do grande rio era a casa do urubu-rei. Ele e os seus parentes guardavam o fogo em baixo da asa. Os índios precisavam do fogo e um deles, um jovem guerreiro, resolveu roubar o fogo dos urubus. Ele matou uma anta e deixou a estendida no chão e, depois de três dias, o bicho estava podre e cheio de vermes. O guerreiro avisou a aldeia a sua intenção e fez uma roupa com folhagens. Pegou sua canoa, colocou a anta podre dentro e foi até a outra margem do grande rio vestido com a roupa de folhagem. Ao chegar na outra margem, ele escondeu sua canoa, colocou a anta podre num descampado bem longe da canoa e ficou encolhido perto da anta como se fosse uma folhagem. Sentindo o cheiro da carniça, os urubus se aproximaram. Antes de chegar na carniça, eles viram, lá do alto, a canoa do jovem índio e a queimaram por inteiro. Ao chegar na carniça, para melhor se banquetearem, despiram a vestimenta de penas, assumindo a forma de gente. Tiraram um tição aceso de debaixo de uma das asas e com ele fizeram grande fogueira. Cataram os vermes, os envolveram em folhas do mato e assaram. O guerreiro, que se mantinha escondido, foi bem devagar até onde estavam as vestimentas de penas e pegou um tição. Mas os urubus viram o índio e foram correndo vestir suas roupas de penas.  O jovem guerreiro correu para sua canoa, mas os urubus, já tinham queimado a embarcação. Sem saber o que fazer, o índio pediu ao sapo cururu que levasse nas costas o fogo até a outra margem do grande rio. O sapo foi, mas quando chegou na outra margem, onde toda a aldeia esperava, nas suas costas tinha sobrado só uma brasinha. O pajé pegou a brasinha e fez uma fogueira. Do outro lado, os urubus atacavam o guerreiro usando tições como flechas. O jovem índio não sabia como sair dali. O pajé, lá na outra margem, jogou um pó mágico na fogueira e pediu a Tupã que ajudasse o guerreiro. Da fogueira saiu uma grossa fumaça que foi até a outra margem do grande rio e envolveu o índio dando ao guerreiro uma grande força. Com um sopro ele espantou os urubus. Depois, com suas mãos, juntou as margens do grande rio e pode passar tranquilamente. O rapaz entregou o fogo ao Pajé. Então, o Pajé ateou fogo em todas as árvores com as quais hoje se faz fogo. E assim o fogo chegou aos homens.

 

 

Adaptação de Augusto Pessôa

 

 

POR QUE É TRISTE O JABURU

 

O jaburu é uma ave estranha. É grande e com pescoço longo. Parece carregar uma tristeza profunda. Fica por grande tempo imóvel como se fosse uma estátua num museu.

Está sempre só. Quando um intruso se aproxima ele logo fica feroz e luta bravamente para expulsar o suposto inimigo. Depois volta a ficar tristonho e cabisbaixo apoiando-se numa perna só.

Mas de onde vem essa tristeza toda?

Uma lenda muito antiga explica:

Mandi, um bravo guerreiro, apaixonou-se por Ituna que era a mais formosa mulher da aldeia. A paixão dos dois era bonita de ver.

Mas o pai do índio não estava satisfeito. Ele era o cacique e queria que o filho o sucedesse no comando da aldeia. Mas para isso Mandi não podia casar enquanto não passassem cinco luas, depois de ter recebido do pai o tacape de guerreiro e o cocar de cacique.

Mas a paixão dos namorados era tanta que eles não queriam esperar. O rapaz preferia não ser o líder da aldeia a perder o amor da sua escolhida. E Mandi não esperou, nem ouviu os pedidos do pai que já estava velho e doente.

Todas as tardes o casal se encontrava a beira da Lagoa Sagrada e ali ficava a trocar juras de amor. Mas eles não ficavam sós. Uma ave de plumagem cinzenta, pescoço encolhido e que ficava apoiada numa das pernas fazia companhia ao casal. Era o jaburu.

Os namorados se divertiam jogando migalhas de fruta adocicada para aquela ave mansa e esquisita que pegava tudo que era oferecido com seu bico grosso e forte.

O jaburu se acostumou tanto com os namorados, que ficou manso. Pegava a comida na palma da mão do casal. E aceitava os carinhos que eles faziam com grande felicidade.

Mas essa felicidade não durou muito.

Uma tarde, uma terrível tempestade se armou no céu. Nuvens escuras e pesadas anunciavam uma grande chuva.

Na aldeia uma tristeza imensa tomou conta dos índios. O cacique estava morrendo. Suas forças estavam se acabando. Num último esforço o líder da aldeia mandou chamar seu filho. Os raios rasgavam o céu, os trovões pareciam fazer tremer o mundo. Mandi foi ver o pai e recebeu dele o tacape e o cocar. Assim que entregou ao filho os objetos sagrados de liderança o cacique morreu.

O novo cacique beijou a testa do pai e saiu da oca. Do lado de fora os índios saudavam o novo líder, mas num clarão do relâmpago Mandi viu a figura de Ituna. Bela e encantadora. O rapaz não se conteve. Jogou de lado os objetos sagrados e abraçou aquela que era dona do seu coração. A ofensa tinha sido feita. Os índios ficaram espantados. De repente um raio fulminou o casal de namorados. Os dois morrerão na hora. Ficaram abraçados, unidos num terrível abraço de morte.

No dia seguinte o casal foi enterrado unido no local onde passavam todas as tardes as margens da Lagoa Sagrada. O jaburu observava tudo. Quando a última porção de terra cobriu totalmente os corpos dos namorados a ave foi embora num voo fantástico.

Mas todas as tardes o jaburu voltava. Esperava encontrar os dois namorados que o tratavam com carinho. O tempo passou e a ave foi ficando cada dia mais triste. As penas foram caindo e a dor aumentava tornando o jaburu a imagem da tristeza. Mas ele nunca desistiu. Todas as tardes esperava o casal de namorados apoiado numa perna só, com a cabeça baixa e imóvel como uma estátua.

E é assim até hoje.

 

 

Adaptação de Augusto Pessôa

COMO SURGIU A ERVA-MATE

 

Conta uma lenda muito antiga que os guerreiros de uma tribo tinham partido para a guerra. Um homem, por ser muito velho, teve que ficar. E ele ficou revoltado com isso, chorando no alto da colina, vendo os jovens guerreiros que partiam. O velho lembrava quando era um forte e valente guerreiro. E a sua tristeza aumentava em se perceber agora fraco e envelhecido.

A sua única alegria era sua filha que se chamava Iari. Era uma jovem muito bela, mas recusava todos os pedidos de casamento porque queria ficar ao lado do velho pai.

Um dia, chegou à oca do velho índio um viajante estranho. Ele tinha roupas coloridas e olhos que brilhavam como o azul do céu. O velho logo percebeu que o homem vinha de muito longe. Pai e filha receberam o estranho muito bem. Iari ofereceu os melhores frutos e o mel mais doce. O velho índio contou suas façanhas de juventude com riqueza de detalhes. Tudo era feito para agradar o estrangeiro.

No dia seguinte, com o nascer do sol, o homem já estava pronto para partir. O viajante falou para o velho índio:

 

- Você é um homem bom. E a sua bondade merece ser premiada. Eu sou um mensageiro de Tupã. Você pode pedir o que quiser que será seu.

 

O velho índio coçou a cabeça e respondeu:

 

- Meu amigo, nada mereço pelo que fiz! Mas gostaria de uma força para a minha velhice. Minha filha cuida de mim e se eu tivesse novamente forças ela poderia casar e formar sua própria família. É só o que eu peço: uma força para que eu tenha novamente ânimo.

 

O mensageiro de Tupã sorriu. Ele tinha entre as mãos uma planta com folhagens verdes. O viajante entregou a planta ao velho e disse:

 

- Plante essa folhagem e deixe-a crescer.  Você vai fazer ferver as folhas e beber o chá. Fazendo isso vai ter a força que tanto deseja. Esta erva tem a força do próprio Tupã. Ela trará energia para todos os homens da tribo. E sua filha Iari será a partir de hoje a protetora das florestas. E vai mostrar o mate para todo mundo.

 

E desde então, Caá-Iari, como ficou conhecida a filha do velho índio, é senhora dos ervais e deusa dos ervateiros.

Em seguida, o homem partiu. Tinha dito a verdade: o velho guerreiro recuperou as forças perdidas e nunca mais passaram necessidade Entretanto, Iari vivia preocupada com o pedido do estranho. Ele queria que ela tornasse o mate conhecido. Mas como? Estavam tão longe que ali não aparecia ninguém! Ela não sabia o que fazer. Ela e o pai saíram pela floresta para espalhar a notícia para todo mundo.

O tempo passou.

Numa distante aldeia de índios, realizava-se uma grande festa. Todos estavam contentes

porque tinham feito uma boa caçada e tão cedo não precisariam preocupar-se com alimento. Enquanto uns dançavam e cantavam, outros comiam e bebiam. Depois de algumas horas de alegria, dois jovens índios, que tinham bebido mais do que deviam, começaram a discutir. Eram Piraúna e Jaguaretê. O primeiro usava um colar feito com dentes de cem inimigos que abatera nas guerras. O segundo era famoso por sua força e coragem. Eram os guerreiros mais fortes da tribo. Quando alguns índios viram o que estava acontecendo, procuraram acalmar os dois jovens, pois sabiam que uma briga entre eles não teria um bom resultado. Depois de muito esforço, levaram cada um para um lado e a festa continuou. Mas os dois estavam mesmo decididos a terminar a discussão que haviam iniciado. Pouco a pouco, um foi chegando perto do outro e a briga recomeçou. Desta vez, apelaram para a força. Os índios mais corajosos fizeram de tudo para separá-los. Porém, quem podia com eles? Fortes como eram pareciam duas feras e não dois homens. De repente, Jaguaretê empunhou um tacape e deu um violento golpe na cabeça de Piraúna, matando-o.

Interrompendo-se a festa e Jaguaretê foi amarrado ao poste das torturas. Pelas leis daquela tribo, os parentes do morto podiam executar o assassino. Trouxeram o pai de Piraúna, para que ordenasse a execução de Jaguaretê, mas ele não quis. Disse que Jaguaretê só era culpado de haver bebido demais, tendo dado, assim, oportunidade a Anhangá, o espírito mau, de dominá-lo, levando-o a matar o amigo. Ele não deveria ser morto, portanto. Apenas expulso da tribo. Teria de viver sozinho nas matas desconhecidas, onde poderia refletir com calma sobre o que fizera. A decisão do velho foi obedecida. Depois de desamarrarem o jovem guerreiro, deram-lhe permissão para que pegasse suas armas e ordenaram que partisse imediatamente.

Jaguaretê obedeceu e seguiu para o exílio. Ia triste, cabisbaixo, pois o efeito da bebida estava passando e podia ver agora o mal que fizera. Seguiu seu caminho e embrenhou-se na mata.

Depois que Jaguaretê sumiu na floresta, ninguém ouviu falar mais nele. Com o tempo, foi completamente esquecido.

Muitos anos depois, alguns índios daquela tribo, que nem tinham ouvido falar em Jaguaretê, saíram para caçar. Entraram pelo sertão, onde era fácil encontrar uma onça, aprofundando-se cada vez mais. No meio da floresta, encontraram uma cabana.  Surpresos, aproximaram-se com cuidado. Nisto, um homem forte e sorridente apareceu. Embora tivesse os cabelos brancos, o corpo e o rosto eram os de um jovem.

Ele acolheu os índios com cordialidade e ofereceu-lhes uma bebida desconhecida. Era

Jaguaretê, o índio expulso de sua tribo, e a bebida desconhecida era o mate.

Os índios quiseram saber por que ele vivia sozinho naquela cabana e que bebida era aquela. Jaguaretê contou-lhes a sua história:

 

- Assim que me vi sozinho na floresta, não agüentava mais o cansaço e o remorso, joguei-me no chão e ali fiquei, pedindo a morte. O arrependimento e a saudade de minha gente me torturavam. Fiquei muito tempo caído no mesmo lugar. Pressenti, então, que alguém estava perto de mim. Levantei a cabeça e vi uma jovem de olhar bondoso. Ela fitou-me com compaixão e disse:

 

- Tenho pena de você, porque não matou por querer e agora está arrependido do que fez.

Para que possa suportar seu exílio, vou ensinar-lhe uma bebida que não enfraquece nem tira a razão como o álcool, mas fortalece o corpo e clareia a mente. Meu nome é Caá-Iari, a deusa protetora dos ervais.

 

Mostrou-me uma estranha planta e esclareceu:

 

- Esta é a erva-mate. Plante-a, deixe-a crescer e faça-a multiplicar-se. Depois, prepare um chá e beba. Seu corpo será forte e sua mente será clara por muitos e muitos anos.

 

Segurei, emocionado, a planta que a deusa me entregara. Ela me olhou, em silêncio. Depois, desaparecendo pouco a pouco, como se fosse fumaça, ordenou:

 

- Não deixe de transmitir a quem encontrar, o que aprendeu sobre o mate!

- Portanto, meus amigos, disse Jaguaretê, quero que levem alguns pés de erva-mate para

sua tribo e nunca deixem de transmitir aos outros o que aprenderam.

- Não vem conosco? - perguntou um índio.

- Não, não vou, respondeu Jaguaretê. Agora é tarde. Todos os que eu conhecia na tribo já devem estar mortos e eu seria um estranho. É preciso que eu cumpra meu exílio. Além disso, estou habituado com este lugar, que me sinto parte dele. E não estou sozinho, tenho o mate para alegrar minhas horas de solidão.

 

Os índios voltaram e contaram aos outros o tinham ouvido. O mate foi plantado e

multiplicou-se.

Outras tribos aprenderam o seu uso e ele é, até hoje, muito conhecido por todo mundo.

 

 

 

 

 

Adaptação de Augusto Pessôa