CONTOS

DE 

NATAL

A ÁRVORE E O LENHADOR

 

       Numa pequena casa em uma grande floresta morava um lenhador com sua mulher e seus dois filhos. Eles eram muito pobres, mas viviam bem com o pouco que tinham. Era véspera de Natal e todos ajudaram a preparar a festa. A ceia foi posta na mesa. Tinha pouca comida, mas o suficiente para toda a família. Quando todos estavam sentados, ouviram uma batida na porta. O lenhador se levantou e foi ver quem era. Na entrada da casa ele encontrou uma criança, um menino, sujo, com as roupas rasgadas e muito pálido. O lenhador perguntou:

 

       - O que você quer, menino?

       - Estou com fome e não tenho aonde passar o Natal! O senhor teria um pouco de comida para me dar?

 

       Sem pestanejar o lenhador respondeu:

 

       - Você vai comer e passar o Natal com a gente!

 

       O lenhador abriu bem a porta e fez o menino entrar. A família parou a ceia. A mãe preparou um banho para o desconhecido e as crianças pegaram roupas para ele. Depois do banho, ele se vestiu. As roupas não eram novas. Estavam até remendadas. Mas estavam limpas e cheirosas. Banhado e vestido o menino sentou junto com a família e todos comeram a comida que era pouca, mas foi o suficiente para todos e estava deliciosa.  Terminada a ceia a família e seu convidado fizeram uma oração. Depois, o lenhador preparou uma cama para o menino poder descansar e todos foram dormir.

       No dia seguinte, dia de Natal, bem cedo a família foi despertada pelo mais belo canto que já tinham ouvido. Eles foram ao quintal da casa seguindo aquela maravilhosa melodia e lá encontraram o menino cercado por um coro de anjos. A criança já não estava vestida com as roupas dos filhos do lenhador. Usava um manto vermelho magnífico rodeado por luzes brilhantes. Os donos da casa não acreditavam que estavam diante de tanta beleza. O menino olhou para eles e disse:

 

       - Feliz Natal, meus amigos!

 

       O lenhador, um pouco espantado, perguntou:

 

       - Quem é você?

 

       E a criança respondeu:

 

       - Eu sou o Menino Jesus! Vocês me receberam com tanta bondade que quero agora lhes dar um presente!

 

       O Deus menino disse isso, quebrou o galho de um pinheiro e plantou no meio do quintal. Depois se afastou um pouco. A árvore cresceu e se encheu de frutas. A família ficou admirada e o menino disse:

 

       - Essa árvore vai dar frutas o ano todo! Mesmo no inverno! Vocês nunca vão passar fome!

 

       As crianças foram até a árvore, colheram algumas frutas e provaram. O gosto era delicioso. O Deus menino quebrou um galho da árvore e levou para dentro da casa. Colocou o galho em pé no meio da sala e disse:

 

       - Todos os anos, no Natal, vocês vão tirar um galho da árvore, vão coloca-lo aqui e enfeitá-lo! Vai ser uma lembrança desse   nosso encontro e do verdadeiro significado do Natal!

 

       Ele disse isso e a árvore se encheu de bolas coloridas e brilhantes. O menino Jesus desapareceu junto com os anjos e a família ficou feliz com tanta beleza.

       Todos os anos eles montavam a árvore de Natal. Seus vizinhos, amigos e parentes também passaram a fazer o mesmo e esse costume foi passando de geração em geração até os dias de hoje.

ADAPTAÇÃO DE AUGUSTO PESSÔA

In: Histórias de Natal

Editora Escrita Fina

 

 

A LENDA DA ÁRVORE DE NATAL

 

       Jesus nasceu! O mundo todo se encheu de alegria e todos queriam presentear o Deus Menino. Os homens, os bichos e até as árvores buscavam a melhor forma de mostrar a sua felicidade pela vinda do Salvador. Do lado de fora do estábulo onde estava a Santa Família as árvores estavam agitadas. Todas também queriam presentear o Menino. A oliveira toda cheia de si foi logo dizendo:

 

      - O meu será o melhor presente! Vou oferecer as minhas mais apetitosas azeitonas! O Menino vai se deliciar com tanto sabor!!

 

       A tamareira não acreditou:

 

       - Com certeza não serão mais apetitosas que as maravilhosas tâmaras que eu darei como prenda!

 

       A palmeira desdenhou do presente das duas árvores:

 

       - Vocês só pensam em comida? Eu darei uma coisa muito mais útil: a minha folha mais larga!

       - Uma folha? - perguntou a tamareira com desdém – Pra que   ele vai querer uma folha?

       - Pra se abanar quando estiver calor! - respondeu orgulhosa a palmeira – Você não pensa, minha filha!

 

       Então a oliveira entrou na conversa :

 

       - Mas eu não vou dar só comida! Vou presenteá-lo com óleos perfumados feitos da minha própria seiva! Ele será a criança mais perfumada do mundo!

       - Você está é chamando o menino de fedorento?

 

       A conversa ia por esse lado quando um pinheirinho perguntou:

 

       - E eu? O que será que eu posso dar para o nosso Salvador?

 

       As três árvores pararam a sua conversa e olharam com desprezo para o pequeno pinheiro. A palmeira deu uma gargalhada e disse:

 

       - Você? Tão pequenininho e sem graça... acho que não pode    dar nada!

       - A não ser que você queira – continuou a oliveira – que o Deus menino se machuque nesses seus ramos pontudos!

       - Realmente – terminou a tamareira – você não tem nada para oferecer!

 

       O pinheiro ficou triste e cabisbaixo. Queria também fazer um agrado para o Jesus menino. Mas não sabia como. Ele ficou pensando, pensando muito, num presente. Uma coisa que pudesse fazer feliz o nosso Salvador. Mas por mais que pensasse não tinha nenhuma idéia. Ele só não sabia que, lá em cima, no céu tinha alguém vendo a sua tristeza. Era um anjo que ficou com pena do pinheirinho e resolveu ajudar. As estrelas brilhavam com força no céu. O anjo, com muito cuidado, foi pegando aqueles astros luminosos. De todas as cores e tamanhos: pequenas, grandes, amarelas, azuladas, avermelhadas. Depois foi enfeitando os ramos pontudos do pinheirinho com aquelas luzes coloridas.

       Deitado na manjedoura o Deus menino abriu seus olhos despertando de um sono gostoso. No meio daquela escuridão do lado de fora do estábulo ele viu as maravilhosas luzes que enfeitavam o pinheiro. Que coisa mais linda! Era um presente magnífico!

       O Menino Jesus levantou as mãozinhas e deu aquele sorriso para a árvore que iluminava a escuridão da noite.

       E o pinheiro passou a ser, para sempre, um símbolo do Natal.


História tradicional inglesa

ADAPTAÇÃO DE AUGUSTO PESSÔA

In: Histórias de Natal

Editora Escrita Fina